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A função do empreendedorismo não foi prevista como uma atividade emergente entre os jornalistas brasileiros, mas surgiu a partir das observações feitas em campo e das entrevistas realizadas.

A observação dos produtores web no jornalismo trouxe a noção de que poderia haver um passo adiante na profissão, em que este produtor poderia ser considerado também um empreendedor. Na produção cultural há a figura do produtor-executivo: aquele que realiza o orçamento do projeto, cria cronogramas de execução, imagina e busca fontes de recursos para a concretização dos objetivos previstos no projeto. Tem, em muitos casos, uma visão mais ampla, que inclui o mercado e a articulação de parceiros. Este já é caso de alguns jornalistas, que podem ser chamados de empreendedores, estejam realizando seus projetos próprios ou não.

No entanto, jornalistas que realizam funções administrativas não são novidade. Processos de chefia e cargos como os de publisher há muito são ocupados por jornalistas, especialmente em empresas de comunicação. A diferença e talvez a grande mudança ocorrida há poucos anos foi que, antes, a distribuição da informação jornalística estava limitada à logística física: produção, distribuição, venda de produtos como jornais e revistas, ou a concessões públicas de rádio e TV. Não era qualquer um que começa a produzir jornalismo e distribuir em larga escala. Mas com a simplicidade para criar um veículo online, a custo zero praticamente, alguns jornalistas viram na web a oportunidade para testar novos caminhos em vez de tentar construir carreiras dentro das empresas jornalísticas tradicionais.

Requisitos para o jornalista empreendedor são difíceis de esmiuçar. Como se ensina alguém a ser um empreendedor? A resolver problemas que ainda não foram inventados?

Visão, motivação, determinação, foco e dedicação estão entre características citadas pelos textos de administração1 para o empreendedorismo, mas talvez este seja um processo jornalístico emergente dos mais complexos.

A internet, apesar de ter já algumas décadas, está ainda em construção – assim como as oportunidades e os problemas surgidos com ela. O jornalista que buscar neste meio processos inovadores e que sejam sustentáveis financeiramente terá que acompanhar tendências, ou talvez até mesmo criá-las; e buscar qualidade editorial, com bases éticas sólidas – fatores que já eram necessários mesmo no modelo de negócio mais tradicional. Será preciso experimentar novas fronteiras entre o jornalismo, o empreendedorismo, a produção e a internet.

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