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Nos Estados Unidos, o termo data driven journalism vem sendo utilizado para se referir ao tipo de jornalismo que se utiliza de dados organizados em bancos como parte fundamental da apuração.

Uma tradução livre seria algo como “jornalismo guiado por bancos de dados”, ou “jornalismo orientado por bancos de dados”. Há apenas algumas décadas, jornalistas que se especializavam em bancos de dados precisavam ter habilidades de informática muito além do que seria razoável para alguém que não é da área da computação ou não é programador. Agora, muitos dados brutos começam a circular na rede, e existe uma série de aplicativos, softwares e ferramentas que permitem gerar visualizações e camadas de interfaces simples para leitura e cruzamento desses dados. O jornalista Marcelo Soares comenta:

Geralmente a pergunta que a pessoa faz é “visualização de dados é jornalismo?”, “twitter é jornalismo?“, “não-sei-o-quê é jornalismo?”. Eu acho a pergunta meio besta. Porque tudo pode ser apropriado de forma jornalística. Nesse ponto eu admiro os publicitários. Os publicitários não tem essa coisas filosóficas. Surge o Twitter, eles no dia seguinte já estão usando para fazer propaganda. Eles estão usando pra vender alguma coisa. Eles não querem saber se o Twitter é publicidade. Cada vez surgem mais possibilidades de trabalhar com informação. E essas possibilidades podem ser utilizadas para a informação jornalística. Fácil? Fácil não, dá trabalho. Mas elas podem ser apropriadas pelo jornalismo. (SOARES, 2011)

Alguns requisitos para eta função são a facilidade para organizar dados, capacidade e conhecimento para buscas na chamada Web Profunda, conhecimentos de RAC (Reportagem com Auxílio do Computador), matemática, algumas disciplinas de Biblioteconomia e de Ciências da Computação, especialmente ligadas ao funcionamento e criação de bases de dados. Áreas da biblioteconomia como classificação por palavras-chave (tagsonomia) e classificação semântica (folksonomia) são importantes também.

Daniel Jelin, outro jornalista que trabalha com bases de dados, mas na criação de infografias, conta que realiza hoje atividades que ele considera que não existiam antes, pelo menos não da forma como existem atualmente:

Bases de dados, interatividade, redes sociais, hipertexto, hipermídias em geral, newsgaming… Tudo isso eu já vi gente falando que não é exatamente novidade, porque os conceitos são mais largos, e já tinha disso no rádio ou na tv e mesmo nos impressos. Mas não creio: pra mim, isso é novo. Pelo menos o relevo que ganharam é novo. É a cara da internet: um monte de gente ligada a um monte de gente, intermediadas por superprocessadores que computam, computam, computam sem parar. (JELIN, 2010)

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