Você está no e-book mapeamento cultural

Raul Amaro de Oliveira Lanari
colaborador 

O objetivo deste texto é que ao final dele você seja capaz de montar um plano de inventário de manifestações culturais. Gostaria então de responder a uma pergunta: “O que é um inventário?” Nos estudos sobre o patrimônio cultural, um inventário é um estudo preliminar sobre bens possuidores de valor simbólico. É uma forma de apurar informações gerais sobre determinado bem, com base em critérios estabelecidos, uma metodologia de pesquisa. Um plano de inventário seria, portanto, um estudo que identifica esses bens, para que sejam analisados de forma mais aprofundada.

Uma segunda pergunta que você pode vir a se fazer é “mas o que são bens culturais?” Essa resposta é mais fácil. Os bens culturais são aqueles que possuem valor simbólico, afetivo, histórico, cultural para uma comunidade. Podem ser de diversas categorias: bens materiais (sólidos, concretos), imateriais (manifestações culturais); móveis (objetos) e imóveis (edificações, igrejas, casarões, monumentos); naturais (cachoeiras, acidentes geográficos) e arquivísticos (acervos de cartórios, fotográficos, coleções). A preservação do patrimônio cultural tem como objetivo a conservação dos bens culturais e a ampliação do acesso aos mesmos pela comunidade.

Um plano de inventário pode ser específico, por exemplo sobre as Bandas Musicais, ou gerais, como um Plano Municipal de Inventário, que engloba diversas categorias de bens. Se o seu plano for mais geral, ou seja, se você não tiver um assunto específico a ser pesquisado, você deve começar seu trabalho estabelecendo as categorias de bens que vai procurar. Assim, por exemplo, se você foi fazer um inventário dos bens culturais do seu bairro deve listar algumas categorias, como “centros culturais”, “parques/praças”, “escolas”, “celebrações”. São elas que direcionarão a sua pesquisa.

Um segundo passo é dividir a área que você quer analisar em regiões. No caso de um município pode-se adotar a divisão “sede”, “zona rural”. No caso de um bairro, pode-se dividi-lo a partir de suas ruas, ou a partir de locais-chave. Essa divisão ajuda não só a organizar o levantamento de dados, mas permite uma série de análises após a sua coleta. Para a realização dessa tarefa é possível contar com a ajuda da internet, utilizando o Google Maps para a obtenção de um mapa na escala desejada.

Dividida a área, você deve voltar às categorias que escolheu, podendo inclusive criar subcategorias. Por exemplo, a categoria “bens imóveis”, ou seja, obras de arquitetura, pode ser subdividida em “igrejas”, “casas”, “prédios públicos”, “estações ferroviárias” e etc. A categoria “bens móveis” também é ampla, e pode ser subdividida em “imagens religiosas”, “objetos curiosos”,etc . Os chamados “bens arquivísticos”, podem ser acervos de documentos escritos, fotográficos, audiovisuais, em meio físico ou digital.

Agora você poderá montar uma equipe para a apuração dos dados. É importante que eles sejam os mais completos o possível, contendo o endereço completo, o nome correto, os responsáveis, descrição detalhada dos aspectos físicos e culturais, atividades desenvolvidas e outros dados complementares. Estes dados, no entanto, devem ser tornados públicos, para que o inventário seja acessível por um maior número de pessoas. A internet possibilita essa publicidade, pois é uma rede de fluxo contínuo de trocas, processos de adaptação criativa, e deve ser constantemente “abastecida” como novos dados. Ao mesmo tempo, uma cultura pode adquirir muito mais projeção se presente nas páginas da internet. A Wikipedia são excelentes ferramentas para atingir esse objetivo. Plataforma aberta de conhecimento, ela aceita colaboração de qualquer pessoa ao redor do mundo, e é um dos portais mais acessados do planeta, em diversas línguas. Os blogs, por sua vez, permitem a elaboração de um grande “diário” sobre as atividades, além de permitir a exposição dos mesmos.

  • Nome (Obrigatório)

  • E-mail (Não será publicado)

  • Url (Opcional)

  • Comentário (Obrigatório)